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May. 25

O Estado de São Paulo

Marido de secuestrada por las Farc está pesimista

Lecompte, casado com a senadora Ingrid Betancourt, afirma que reeleição de Uribe dificultará negociação

Paciente, Juan Carlos Lecompte espera há mais de quatro anos o reencontro com sua mulher - e se diz disposto a esperar outros quatro, cinco, ou quantos anos forem necessários para revê-la. Ele é casado com Ingrid Betancourt, a senadora colombiana seqüestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 23 de fevereiro de 2002 durante viagem de campanha para as últimas eleições presidenciais do país, vencidas por Álvaro Uribe - candidato favorito à reeleição no domingo.

Persistente, Lecompte não se cansa de mandar recados à mulher distante, mesmo sem ter certeza se ela os recebe. Ano passado, jogou de um avião 15 mil fotos dos dois filhos do primeiro casamento de Ingrid sobre a selva, para que ela tenha a chance de ver como eles cresceram. Este ano, tirou novas fotos e vai repetir o vôo em junho. "Eu também mando mensagens quase todos os domingos por um programa de rádio de parentes de seqüestrados", disse por telefone ao Estado. Ele, como os parentes de outros reféns, tem a esperança de que os guerrilheiros permitam aos cativos o pequeno luxo de ouvir o programa. "Sempre digo que a amo e estou esperando por ela."

Com a separação forçada depois de seis anos de casamento, Lecompte vive sozinho. Mas não é o único a viver o drama de ter alguém querido em cativeiro. Famílias de outras 4 mil pessoas no país sofrem com os parentes seqüestrados - 85% delas estão em poder de grupos guerrilheiros ou paramilitares. Segundo a organização não-governamental País Livre, que presta assistência a vítimas de seqüestros, desde 1996 mais de 22 mil pessoas já passaram pelo trauma do cativeiro.

Os seqüestros podem ter motivação política ou financeira, mesmo quando são praticados pelos movimentos rebeldes. No caso de Ingrid nunca foi pedido resgate: ela é um dos 22 políticos e 33 policiais colombianos, além de 3 cidadãos americanos, que as Farc pretendem trocar por 500 de seus homens presos. Mas Uribe rejeita negociações de paz nos termos dos guerrilheiros.

O impasse nas conversas acabou com quase todas as esperanças de Lecompte. "Hoje, não vejo luz no fim do túnel", disse. E as pesquisas indicando o favoritismo de Uribe na eleição são, para Lecompte, desanimadoras. "A vitória de Uribe significará uma condenação para Ingrid e todos os outros a mais quatro anos sem liberdade."

Apesar do esforço para libertar a mulher, o esperado dia do reencontro causa certo temor em Lecompte. Ele reconhece que depois de tanto tempo afastados, ambos terão mudado muito. "Vamos ser quase como duas novas pessoas se encontrando. Isso me dá medo e estou preparado até para que nosso relacionamento não funcione mais."

Folha de São Paulo

Violencia a la baja, debe reelegi a Uribe
Crédito: Carolina Vila-Nova, enviada especial a Bogotá

Na Colômbia, campanha mais segura em 11 anos alimenta apoio ao atual presidente, favorito na eleição deste domingo

Grande parte da melhora se deve à política do governo de "segurança democrática", que tem 70% de aprovação entre a população do país

A campanha eleitoral deste ano na Colômbia é a que registrou o menor índice de violência política nos últimos 11 anos, com diminuição radical de seqüestros e assassinatos políticos desde pelo menos 1997.

Os dados constam do "Informe especial sobre violência política", da prestigiada Fundação Segurança e Democracia, com base em dados oficiais e de ONGs independentes.

Segundo o relatório, a redução dos seqüestros entre o período eleitoral de 1997 e 1998 e o atual foi de 98%. O número de assassinatos caiu 75%.

Grande parte dessa melhora se deve à política de "segurança democrática" implementada pelo governo do presidente Álvaro Uribe, que neste domingo tenta a reeleição. Essa política explica, aliás, parte dos 70% de popularidade de que Uribe goza ao fim do mandato -e os cerca de 57% de intenção de voto nas eleições.

Teve especial importância a segunda fase do Plano Colômbia, chamada de Plano Patriota, a maior ofensiva militar da história do país contra a guerrilha de esquerda das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) nas selvas do sul, com 17 mil homens.

A ofensiva para retomar o território controlado pela guerrilha e desmontar sua cúpula rendeu inúmeras críticas a Uribe, como a de ter provocado um êxodo maciço de refugiados internos e abusos de direitos humanos, além de acusações de autoritarismo.

Mas, graças a ela, Uribe pôde comemorar, no ano passado, o fato de o Estado ter retomado o controle de 100% dos municípios urbanos, com presença policial em todos eles, feito impensável em 40 anos de conflito armado no país.

Prefeitos que antes haviam sido expulsos pela guerrilha, por exemplo, puderam voltar a trabalhar nas sedes de governo.

Outro fator que colaborou com a diminuição da violência foi a aproximação entre Uribe e a cúpula dos paramilitares de direita da AUC (Autodefesas Unidas da Colômbia). "Nessa fase, os paramilitares tentam obter o apoio dos poderes locais, alcançam um importante respaldo em nível nacional, mas, mais do que isso, iniciam uma fase de desmobilização maciça que estavam em seu apogeu na conjuntura eleitoral", explica o relatório.

O ELN (Exército de Libertação Nacional), por sua vez, iniciou no ano passado negociações de paz com o governo.

As Farc, por outro lado, não apenas disseram que não irão criar obstáculos à votação, como chamaram a população a votar -contra Uribe.
A guerrilha mudou também sua estratégia, privilegiando como demonstração de poder as chamadas "greves armadas" que bloquearam três departamentos (Estados) nas eleições legislativas, em março.

Mudança

A mudança é notável. Em 1990, por exemplo, três candidatos presidenciais foram assassinados. No período de 2001 e 2002, a violência atingiu vários personagens de envergadura regional e nacional, sendo o caso mais notório o seqüestro da candidata presidencial Ingrid Betancourt e de sua chefe de campanha, Clara Rojas, pelas Farc, em fevereiro de 2002.

"No que diz respeito ao eleitoral, houve um progresso substancial nas condições e no ambiente. As evidências estão aí", disse à Folha o chefe da missão de observação da OEA, Santiago Murray. "É muito diferente de 2002, quando havia áreas sem controle territorial por parte das forças de segurança. Tampouco há tantas ameaças para que as pessoas não votem, por parte das Farc."

O balanço positivo da segurança é, porém, irregular.

"A Colômbia é um país muito regionalizado. Os fatores de violência, por exemplo, guerrilha, paramilitares, delinqüência comum, narcotráfico, têm uma evolução que muda segundo as regiões", afirmou o cientista político colombiano Francisco Leal.

A cidade de Buenaventura (oeste), por exemplo, tornou-se um dos principais focos de uma escalada da violência contra civis, agentes de segurança e infra-estrutura, no que as autoridades interpretam como uma investida das Farc para afetar as eleições. Segundo dados oficiais, foram registrados 125 homicídios desde o início do ano -35 a mais que no mesmo período em 2005.

Especialistas avaliam que as mortes são produto de uma disputa entre guerrilha, narcotráfico e grupos de paramilitares pelo controle desse corredor estratégico de saída de coca e de entrada de armas, aliado a um panorama de pobreza extrema.

O Globo

Paz, la nueva estrategia de Uribe
Crédito: José Meirelles Passos, Enviado especial BOGOTÁ

Quatro anos atrás, Álvaro Uribe se elegeu presidente da Colômbia tendo como plataforma principal de sua campanha aniquilar dois grupos guerrilheiros: as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN). Agora, no entanto, o ponto principal de sua candidatura à reeleição é exatamente o oposto: a proposta de uma negociação de paz com a guerrilha.

O motivo é que o governo percebeu que é impossível resolver o problema à força. Além disso, os custos dessa guerra estão cada dia mais altos: as estimativas são de que o conflito armado está custando à Colômbia entre 3% e 7% do seu Produto Interno Bruto, ou seja, de US$ 3,4 bilhões a US$ 7,9 bilhões por ano.

Nem mesmo a ajuda de 800 militares dos EUA — tanto em treinamentos antiinsurgência quanto em logística — foi suficiente para derrotar os guerrilheiros. O chamado Plano Patriota, iniciado dois anos atrás com vários municípios do sul do país sendo ocupados por tropas do Exército, tem funcionado apenas razoavelmente.

A avaliação mais recente do Congresso dos EUA, ao considerar uma nova ajuda financeira à Colômbia, foi de que “ataques recentes das Farc indicam que os guerrilheiros continuam tendo grande capacidade ofensiva”. Diante das duas opções que tinha, Uribe escolheu a segunda: a busca de diálogo. A primeira seria politicamente difícil de adotar: a participação direta de soldados americanos nas operações antiguerrilha.

Em março, a subsecretária de Estado Anne Patterson acenou com um reforço: disse que os EUA poderiam intervir no país para capturar guerrilheiros se a Colômbia pedisse. Uribe, no entanto, preferiu ouvir a voz dos colombianos: a mais recente pesquisa do Instituto Gallup mostrou que 64% preferem uma negociação entre o governo e a guerrilha ao confronto.

Distribuição de coletes à prova de bala a prefeitos
A questão é que as Farc — o grupo rebelde mais poderoso, com 17 mil homens — continuam mandando em pelo menos 38% do território colombiano. Seus guerrilheiros controlam totalmente 122 municípios, mantendo sob suas ordens — à custa de ameaças — seus prefeitos e 924 vereadores. A providência federal foi dar a todos eles coletes à prova de balas e armas para sua proteção pessoal.

Nos casos mais graves, o governo instituiu equipes de escoltas e forneceu carros blindados. Ainda assim, de vez em quando políticos se somam ao contingente de cerca de dois mil vereadores que se viram obrigados a se mudar para outras cidades com suas famílias. São forçados a administrar os assuntos de seus municípios reunindo-se em lugares secretos, ou via telefone, segundo a Federação Nacional de Vereadores.

Entre 2001 e 2006 foram assassinados 216 vereadores em dez municípios. No último dia 5, generais do Exército e da polícia, além de uma representante do Ministério do Interior, reuniram um “conselho extraordinário de segurança” em Neiva, em busca de soluções para esse problema. A decisão foi alertar os vereadores a não saírem das zonas de segurança (outras cidades) onde foram instalados.

Além disso, as Farc continuam fazendo do seqüestro uma arma — utilizada justamente no momento de se sentarem a uma mesa de negociação. No momento, 59 políticos, militares e policiais estão sob sua custódia, entre eles a senadora Ingrid Betancourt, seqüestrada em 2002 quando fazia campanha em Caquetá como candidata a presidente da República. O objetivo das Farc é, em meio às negociações de paz, realizar o que chamam de “intercâmbio humanitário”: trocar o grupo de seqüestrados por 500 guerrilheiros mantidos em prisões federais.

Folha de São Paulo
Ejército tendrá 200 mil hombres en las calles este domingo
Crédito: Da enviada a Bogotá
As autoridades colombianas compartilham a cautela manifestada pelo especialistas sobre a aparente tranqüilidade eleitoral. Para garantir a segurança no dia da votação, as Forças Armadas anunciaram o emprego de 220 mil efetivos em todo o país.

Apenas na capital, segundo a Polícia Metropolitana, serão 20 mil policiais e mais de 500 agentes antiterrorismo, de acordo com a imprensa.

Em Bogotá, a presença de militares e policiais munidos de cachorros e armamento pesado já é ostensiva, inclusive nas portas do principais hotéis e em pontos turísticos. Mais de uma vez, a reportagem da Folha teve de exibir o conteúdo de sua bolsa a agentes de segurança que patrulhavam as ruas.

A vida das pessoas parece seguir seu curso, como mostram os engarrafamentos no centro da cidade -talvez porque a capital nunca tenha sido alvo preferencial de ataques.

" Com muito poucas exceções, Bogotá não tem sido um alvo. Em agosto de 2002, quando da posse do novo governo, houve ataques, mas isso é excepcional", disse à Folha o analista político Francisco Leal Buitrago. "Em geral houve uma melhora da segurança nos últimos anos em Bogotá, e diria que, olhando os índices de criminalidade das grandes cidades latino-americanas, é uma das que tem menos insegurança."

Estão aptos a votar 26,5 milhões de habitantes, mas o voto não é obrigatório. O Conselho Eleitoral prevê um índice de abstenção de cerca de 55%.

"As pessoas se sentem mais seguras para votar. Mas o que se vê também é certa apatia", disse Santiago Murray, chefe da missão de observação da OEA.
(CVN)

O Globo
Universitarios en la mira de la guerrilla
BOGOTÁ. Apesar de um esquema de segurança especial para proteger a capital colombiana da invasão dos guerrilheiros das Farc, eles não só entram e saem da cidade quando querem como também vêm formando milícias urbanas. Elas têm surgido tanto em Bogotá quanto em outras cidades como Cartagena, Neiva e Santander.

Trata-se do Projeto Anarkos das Farc, que consta do recrutamento de estudantes em 12 grandes universidades do país — seis delas em Bogotá — e o seu treinamento em acampamentos no interior. Ali eles aprendem a confeccionar bombas, além de táticas de ocupação de áreas e a execução de atentados.

Os serviços de espionagem do governo têm coletado muitas informações a respeito dessa movimentação, mas têm sido incapazes de agarrar guerrilheiros. Eles sabem que Carlos Antonio Lozada, do estado-maior do Bloco Oriental das Farc, é quem coordena a organização das milícias urbanas. E também que Danilo Nariño é o responsável pela seleção dos candidatos em Bogotá.

Ambos já teriam conseguido arregimentar cerca de mil jovens, em operações que os policiais e militares jamais conseguiram detectar:
— Temos chegado sempre atrasados aos contatos que eles fazem. Ou melhor, quando sabemos desses encontros eles já foram realizados — admitiu ao GLOBO um dos
agentes da unidade antiterrorismo da polícia.

Os estudantes seriam abordados em eventos culturais e acadêmicos, e muitas vezes durantes os intervalos das aulas. Os que são aprovados numa entrevista com Nariño, são levados para núcleos das Farc nos departamentos de Caquetá, Meta e Huila para um curso de três meses. Cada célula urbana é composta de três estudantes.

As autoridades sabem, agora, que o recrutamento foi iniciado dois anos atrás. Elas, no entanto, só perceberam esse esquema em janeiro passado depois de dois ataques a torres de energia na zona sul de Bogotá. Testemunhas contaram ter visto jovens universitários colocando os explosivos. Em abril passado veio a confirmação, através da explosão acidental de uma bomba, quando ela estava sendo armada por três universitários no apartamento de um deles. Todos morreram. (José Meirelles Passos)

Valor Econômico

Colombia ahora atrae inversionistas/
Crédito: Bettina Barros e Cláudia Facchini

A Colômbia, que deverá reeleger domingo o presidente Álvaro Uribe, começa a se tornar uma das economias favoritas dos investidores internacionais na América Latina, atraindo inclusive empreendimentos brasileiros.

Com o terceiro maior mercado doméstico sul-americano e uma economia crescendo à taxa anualizada de 5%, a Colômbia tem tudo para dar certo, diz Márcio Ramos, diretor do Grupo Gerdau, que possui duas siderúrgicas no país e já estuda um terceiro investimento. Grande entrave para a economia nos anos 80 e 90, a violência provocada pelo combate à guerrilha diminui no governo linha-dura de Uribe.

A Santista Têxtil não tem fábricas no país, mas seu presidente, Herbert Schmid, diz que a Colômbia é o país com mais perspectivas de investimento hoje na América Latina. Entre as empresas que avaliam seriamente investir na Colômbia estão a Tok&Stok e a Tigre.

Sem populismo, Colômbia atrai negócios
Enquanto alguns governos da América do Sul bradam idéias extravagantes como o socialismo bolivariano ou capitalismo andino-amazônico, em contraponto aos tratados comerciais com os EUA e ao neoliberalismo, um país que vem rejeitando essa guinada populista se consolida como opção segura e atraente para os investidores estrangeiros na região.

Com o terceiro maior mercado doméstico sul-americano e uma economia crescendo à taxa anualizada de 5%, a Colômbia já dá sinais de disputar novos negócios de igual para igual com tradicionais "queridinhos" do continente, como Chile, Brasil e México, e atrai um número crescente de empresas estrangeiras, inclusive do Brasil.

Empresários brasileiros de diversos setores ouvidos pelo Valor concordam em dizer que o país se transformou em um importante "player" na região, com grandes perspectivas de expansão para os negócios. Muitos que não foram para lá afirmam estar prospectando de perto o país.

Não faltam razões para querer entrar nesse mercado, dizem. Desde 2001, a economia colombiana tem crescido a uma média superior à da América Latina (veja gráfico). Ao contrário de alguns vizinhos, seu mercado interno de 43 milhões de habitantes tem um poder aquisitivo relativamente alto - o PIB per capita é de US$ 7,4 mil (em PPP). A inflação está em 4,11%, o menor nível em 40 anos, e os juros mantidos em 6,25%.
" A Colômbia tem tudo para dar certo", diz Márcio Ramos, diretor de operações de negócio para a América Latina do Grupo Gerdau, que tem duas usinas siderúrgicas no país. "Eles alcançaram um nível de estabilidade política e institucional que deverá assegurar seu processo de crescimento de maneira sustentável".

Segurança, situação fiscal positiva e estabilidade jurídica completam o cenário favorável apontado pelos analistas.

"O estrangeiro que chega à Colômbia sabe quais são as regras do jogo, e isso é um paraíso para qualquer investidor", afirmou um representante do governo brasileiro que pediu para não ser identificado.

Grande entrave para a economia nos anos 80 e 90, a violência gerada no conflito com a guerrilha caiu drasticamente no governo "linha dura" do presidente Álvaro Uribe, que deverá ser reeleito neste final de semana, já no primeiro turno, segundo as pesquisas.

Com a melhora na segurança e a economia crescendo, o governo reduziu os gastos militares que no passado deterioraram sua posição fiscal. Não à toa, a Colômbia desfruta de uma classificação de risco melhor que a do Brasil, segundo as agências de rating Standard & Poor's e Moody's.

"O mercado vê a Colômbia como o país da América Latina com maiores chances hoje de conseguir fazer as reformas necessárias, como a reforma tributária", diz Ricardo Amorin, economista-chefe para América Latina do WestLB. "O governo Uribe tem propostas e maioria no Congresso para levar adiante mudanças".

O resultado disso se reflete no crescimento do Investimento Direto Estrangeiro (IDE) na Colômbia, o maior em proporção do PIB (8,4%) registrado pela Cepal na região no ano passado. O país recebeu US$ 10,2 bilhões em 2005, uma guinada expressiva em comparação com os US$ 3 bilhões do ano anterior.

Em março, uma delegação de 70 empresas brasileiras de 21 setores viajou a Bogotá para um encontro com empresários locais. Voltaram com negócios fechados da ordem de US$ 11,7 milhões, o triplo do esperado. A viagem, promovida pela Agência de Promoção às Exportações (Apex), foi considerada um sucesso.

O Grupo Gerdau, que diz ver o país vizinho como "estratégico" para seus negócios, assinou em dezembro de 2004 um acordo para tornar-se acionista das empresas Diaco e Sidelpa, num processo de aquisição escalonada de participações do Grupo Mayagüez e da The Latinamerican Enterprise Steel Holding, detentores do controle das empresas. A Diaco é a maior fabricante de produtos de aço para a construção civil do país, e a Sidelpa, a única produtora de aços especiais.

O cenário do setor siderúrgico colombiano é promissor, segundo a empresa. A expectativa é que a produção das duas usinas cresça 50% nos próximos três anos, de 400 mil toneladas para 600 mil toneladas, voltadas principalmente o mercado interno. Até 2008, US$ 50 milhões serão investidos nas diversas unidades.

Mas as ambições da Gerdau no país incluem ainda um terceiro negócio, envolvendo a siderúrgica Paz Del Rio. A grupo informou estar aguardando "do governo colombiano a definição dos elementos para esta oferta".

A Santista Têxtil começou a operar na Colômbia há sete anos. A empresa, que não tem fábricas no país, exporta tecidos para a confecção de calças jeans. Na época, eram dois os atrativos: o grande mercado doméstico e a possibilidade de exportar para os EUA. Mas, com o tratado de livre comércio (TLC), a Santista perdeu esse canal. O tratado determina que, para ter isenção tarifária, as calças exportadas ao mercado americano têm de ser 100% colombianas. Ou então pagam 17% de imposto.

Mesmo assim a Santista acha que vale muito a pena continuar na Colômbia, porque eles têm uma capacidade instalada invejável, mão-de-obra especializada e largo consumo. Em 2005, foram vendidos 45 milhões de metros de tecido para consumo colombiano, o equivalente a 20% do mercado brasileiro.

"Suas instalações são reconhecidas internacionalmente, e o nível educacional é alto", diz Herbert Schmid, presidente da Santista Têxtil no Brasil. "A Colômbia nivela com a Argentina em termos de consumo, tem grande capacidade instalada e potencial de exportação. É, sem dúvida, o país com mais perspectivas de investimento atualmente na América Latina."

Entre as empresas brasileiras que também avaliam seriamente investir na Colômbia estão a Tok&Stok, rede de móveis e artigos de decoração, e a Tigre, fabricante de tubos e conexões. Por enquanto, porém, nenhuma das duas bateu o martelo e só estão prospectando oportunidades.

"Há um plano de renovação urbana em Bogotá que está incentivando a construção civil", afirma Regis Dubrule, presidente da Tok&Stok, que possui 25 lojas no Brasil e planeja iniciar a sua internacionalização pela América do Sul. Segundo ele, a reativação do mercado imobiliário acaba gerando uma maior demanda em outros segmentos, como móveis. Varejistas chilenas de material de construção, por exemplo, também já estão se instalando no país.

O aquecimento do consumo colombiano também chama a atenção da holandesa Philips, fabricante de aparelhos eletrônicos, e da alemã BSH, dona da marca de eletrodomésticos Bosch. As duas multinacionais européias administram seus negócios na América Latina a partir do Brasil.

Ausente do varejo colombiano por cerca de cinco anos, a Philips voltou a colocar seus produtos no país no ano passado. A Colômbia é abastecida a partir da subsidiária do grupo no Panamá e, normalmente, com produtos fabricados na Ásia.

"O consumo de eletroeletrônicos na Colômbia cresce 20% ao ano", afirma Paulo Ferraz, vice-presidente de eletrônicos de consumo da Philips para América Latina. O varejo colombiano também amadureceu nos últimos anos, tornando o mercado mais seguro para os fornecedores. "As grandes cadeias de hipermercados, como Carrefour, Makro, Exito, da qual o grupo francês Casino é sócio, e Alkosto, já respondem por metade das vendas de aparelhos eletrônicos na Colômbia", diz Ferraz.

Michael Traub, presidente para a América Latina da BSH, já agendou uma visita à Colômbia. O país, acrescenta o executivo, é o terceiro maior mercado de linha branca (refrigeradores, fogões e lavadoras) da América Latina. O mercado colombiano, porém, não deve ser abastecido pelas fábricas brasileiras mas pela unidade da BSH do Peru. Por fazer parte do Pacto Andino, o Peru possui vantagens tarifárias que o Brasil não tem nas relações comerciais com a Colômbia.

O índice de confiança na Colômbia, afirma Ferraz, da Philips, registra um forte crescimento. Saltou de 6%, em 2004, para cerca de 20%. Pesquisa feita com empresários do país aponta que 58,7% deles manifestaram ter planos para novos projetos em investimentos produtivos.

Para 2006, as estimativas apontam para a manutenção das taxas de crescimento. As vendas da indústria cresceram a taxas superiores a 6% nos últimos dois anos, fazendo com que a utilização da capacidade instalada atingisse 79%. O volume de encomendas subiu de 80% para 86,1%, o maior já registrado, diz o informe da Andi (Associação da Indústria da Colômbia).

Alguns setores tiveram resultado especialmente bons, como o setor plástico, com uma alta de 10,3% em relação ao ano anterior, de vidros, que cresceu 19,2%, ferro e aço, com um aumento de 18,8% e veículos, cujas vendas aumentaram em 24,8%.

O Globo

1l ‘A eleição de domingo define a pole position de 2010’
Crédito: Cristina Azevedo
Corpo-a-Corpo: DANIEL SAMPER PIZANO

Além de dar um provável segundo mandato a Alvaro Uribe, as eleições de domingo devem fornecer um panorama dos candidatos a 2010, analisa o escritor colombiano Daniel Samper Pizano. “O pós-uribismo vai ser diferente”, diz o irmão do ex-presidente Ernesto Samper e que está no Rio para o lançamento de “Impávido colosso”, passado na ditadura brasileira.

Por que um livro sobre a ditadura brasileira?
DANIEL SAMPER PIZANO: Eu me dei conta de que a primeira ditadura de segurança nacional foi brasileira. Foram tantos horrores da ditadura argentina, da chilena, que a brasileira ficou um pouco esquecida pelos latino-americanos. Têm saído muitas obras sobre Pinochet, sobre os argentinos, mas pouco sobre a ditadura brasileira em espanhol. Achei que era momento de resgatar a memória dessa ditadura, mas também de contar histórias humanas.

Durante os anos 60 e 70 houve grupos guerrilheiros no Brasil e outros pontos do continente. Mas estes países superaram isso. O que aconteceu na Colômbia?
SAMPER: Narcotráfico. A droga é a explicação para que ainda tenhamos 20 mil guerrilheiros. A guerrilha ideológica deixou de existir. Os militantes entram para a guerrilha agora porque oferece postos de trabalho. Oferece salário, dá a possibilidade de pertencer a algo. O que financia isso tudo são um pouco os seqüestros, um pouco as extorsões, mas sobretudo o tráfico. A guerrilha nasce pela opressão e pobreza, mas se mantém graças ao tráfico.

Como o senhor vê as negociações com os paramilitares e com a guerrilha?
SAMPER: Acho que toda arma que se lance é uma boa notícia. O problema é o preço que se paga. Que preço traz esta impunidade e se isso significará estabilidade. Na Argentina se pagou o preço da impunidade e depois se teve que retificá-lo. Na Colômbia se faz a desmobilização dos paramilitares com uma colossal impunidade. A lei de desmobilização diz que as mesmas normas têm que ser aplicadas à guerrilha. O que significa que, se há impunidade, haverá para muita gente. Por outro lado, não basta que entreguem as armas. O que oferecemos em troca? Vão ter trabalho? Ou ao fim de dois anos vão regressar às armas? Acho que tudo isso foi feito de forma um pouco precipitada.

Que avaliação faz do governo Uribe?
SAMPER: Há coisas muito positivas e outras perigosas. Não há dúvida de que devolveu a segurança em algumas regiões. Agora se pode sair das cidades. Devolveu a sensação de segurança de que os colombianos necessitavam. Mas me parece ter uma tendência autoritária. Que é mais caudilho do que líder democrático. E que pretende resolver tudo num nível pequeno. É um detalhista. Ele põe tijolos, não é um arquiteto. A reeleição foi uma fórmula que, me parece, pulou pedaços da democracia. A Colômbia não tinha reeleição há muitos anos e ele a pôs em benefício pessoal.

Como fica a oposição?
SAMPER: Uribe vai ganhar, mas o que a eleição define, também, é a pole position de 2010. A menos que ele reforme a Constituição para continuar governando, o pós-uribismo vai ser muito diferente. E aí a esquerda vai ter uma posição importante. Creio que Carlos Gaviria vai ter uma votação muito boa. Se ele não for candidato em 2010, o candidato poderia ser Lucho Garzón (prefeito de Bogotá). É a pessoa de esquerda em cargo mais importante. Lucho tem feito um bom trabalho em Bogotá e é muito popular. Se a esquerda se unir em torno dele, poderá atrair muita gente.

O senhor vai votar, no domingo?
SAMPER: Sim. Vou votar em Gaviria. Uribe só fala de ordem pública. Mas sem uma solução social, não há possibilidades.

Gazeta Mercantil

Cada candidato demanda 100 seguranças na Colômbia
Crédito: AFP

Bogotá, 25 de Maio de 2006 - O favorito, Alvaro Uribe, mobiliza cerca de 1,5 mil homens a cada deslocamento. Por trás de cada candidato presidencial colombiano para as eleições do próximo dia 28 de maio estão 100 homens da segurança, destacados para a proteção do homem que poderá dirigir o destino do país.

Mais de 25 mil guerrilheiros esquerdistas, centenas de paramilitares de extrema direita que não se desmobilizaram, os bandos de narcotraficantes e até delinqüentes comuns, mantêm em suspense os responsáveis pela segurança de cada um dos seis candidatos presidenciais.

O favorito, segundo as pesquisas, o atual presidente Alvaro Uribe, mobiliza cerca de 1,5 mil homens em cada um de seus deslocamentos, e nesta campanha limitou ao mínimo as aparições ao ar livre.

Nas eleições de domingo (28), 220 mil homens das Forças Militares e da polícia realizarão tarefas de segurança centradas nos departamentos onde é forte a presença de rebeldes, como Meta, Caquetá, Huila, Arauca, Norte de Santander, Tolima, Putumayo e Cundinamarca.

No fim de semana passado, o segundo homem mais importante na hierarquia das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Raúl Reyes, disse os guerrilheiros não boicotarão o pleito, e ao mesmo tempo fez um apelo para que Uribe não seja reeleito.

Rivais com pouca chance

Três candidatos integram a lista dos quais as pesquisas não conferem nenhuma chance de vitória. Com apenas 2,1% das intenções de voto, o ex-prefeito de Bogotá, Antanas Mockus, é o que conta com a maior aceitação desse grupo. Outro candidato da lanterna é o ex-ministro da Justiça, En rique Parejo, ao qual a última pesquisa conferiu 0,4% das intenções de voto. Finaliza a lista dos menos votados o médico oftalmologista Carlos Rincón, com apenas 0,1% da preferência.

Esses três candidatos completam o leque de aspirantes à presidência com os opositores Horacio Serpa (Liberal, com 10% das intenções de voto), Carlos Gaviria (esquerda, 23,7%), e com o atual presidente Alvaro Uribe, favorito para a reeleição (54,7%).

Um último candidato, Alvaro Levya, para quem as pesquisas não davam nenhuma possibilidade, renunciou à candidatura em 14 de maio.

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 11)(AFP)

Correio Braziliense

1f Notas
ELEIÇÕES NA COLÔMBIA
Oposição tenta sobreviver

A oposição colombiana multiplicou ontem os esforços para conseguir votos nas eleições presidenciais do próximo domingo. "Estamos muito otimistas e aumentando nossa energia, pois esperamos uma votação histórica", afirmou Samuel Moreno, presidente da coalizão de esquerda Pólo Democrático, cujo candidato, Carlos Gaviria, aparece em segundo lugar nas pesquisas de opinião. As pesquisas apontam uma cômoda reeleição de Álvaro Uribe, com pelo menos 54% dos votos, mas indicam que Gaviria, com 23%, poderia surpreender. Uribe recebeu ontem o apoio do presidente venezuelano, Hugo Chávez, com quem tem relações diplomáticas conturbadas. Chávez chamou o colombiano de "bom amigo" e "homem de coragem".

SOBRE BRASIL:

Reelección de Lula sin peligros en 2006 según nueva encuesta
RIO DE JANEIRO, Mayo 24 (AFP) - El presidente de Brasil, Luiz Inacio Lula da Silva, garantizaría su reelección en primera vuelta de las elecciones de octubre próximo con 22 puntos de ventaja sobre su principal rival, el socialdemócrata Geraldo Alckmin, según una segunda encuesta difundida este miércoles.

La encuesta, realizada por la firma DataFolha y difundida anticipadamente por el noticiero nocturno Jornal Nacional, del canal carioca Globo, marca que Lula aumentó su ventaja (era 20 puntos en abril) al figurar en las preferencias con 43% del electorado, contra 21% de Alckmin, ex gobernador de Sao Paulo.

En abril Lula (Partido de los Trabajadores, PT, izquierda) recibía 40% de las intenciones de voto contra 20% del candidato del opositor Partido de la Social Democracia Brasileña (PSDB), del ex mandatario Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

La encuesta fue realizada este martes y miércoles entre 6.000 electores de 258 municipios y margen de error de +/-2%.

Esta consulta apuntala otra que fue divulgada este mismo miércoles, la del instituto CNT/Sensus, en la que Lula vencería fácil a Alckmin con 20 puntos de ventaja en una primera vuelta, al acaparar 40,5% (37,5% en abril) de la intención de voto contra unos 18,7% de Alckmin (20,6%).

Hasta el momento el único candidato oficialmente presentado de cara a las elecciones generales de octubre es Alckmin. Lula ha rechazado pronunciarse hasta ahora y recién en junio resolverá si se postulará, aunque el PT ya le anunció su apoyo masivo.
Un 39% evaluó que el gobierno de Lula es excelente o bueno, 37% cree que es regular y para 22% es malo o pésimo.

Así, Lula demostró que recuperó con fuerza su imagen positiva luego de la caída de su popularidad el año pasado tras la grave crisis política que afectó al PT, acusado de haber pagado sobornos a decenas de legisladores y de crear una millonaria contabilidad ilegal para pagar deudas de campaña.

Con ello, Lula consiguió recuperarse con fuerza del desplome de la popularidad que sufrió al final del año pasado, cuando se comprobó la existencia de una red de corrupción con fuerte participación de su partido.

El real se precipitó 4,50% a 2,40 por dólar en Brasil
SAO PAULO, Mayo 24 (AFP) - La moneda brasileña cayó estruendosamente este miércoles un 4,50% con relación al dólar, que se cotizó a 2,40 reales al cierre del mercado cambiario, contra 2,292 al fin de las operaciones del martes.

La fuerte caída de la divisa local obedeció una vez más, por tercera jornada consecutiva, a la fuga de capitales para la compra de Bonos del Tesoro de Estados Unidos, explicaron los operadores.

Durante 2006, la divisa brasileña acumula una desvalorización de 3,33% respecto al billete verde, que el último día hábil del año pasado se cotizó a 2,32 reales, después que a inicios de mayo la apreciación se había aproximado al 13%. En 2005 el real se había valorizado 14,4%.

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