O Estado
de São Paulo
Marido de secuestrada por las Farc está pesimista
Lecompte, casado com a senadora Ingrid Betancourt, afirma
que reeleição de Uribe dificultará negociação
Paciente, Juan Carlos Lecompte espera há mais
de quatro anos o reencontro com sua mulher - e se diz
disposto a esperar outros quatro, cinco, ou quantos anos
forem necessários para revê-la. Ele é casado
com Ingrid Betancourt, a senadora colombiana seqüestrada
pelas Forças Armadas Revolucionárias da
Colômbia (Farc) em 23 de fevereiro de 2002 durante
viagem de campanha para as últimas eleições
presidenciais do país, vencidas por Álvaro
Uribe - candidato favorito à reeleição
no domingo.
Persistente, Lecompte não se cansa de mandar
recados à mulher distante, mesmo sem ter certeza
se ela os recebe. Ano passado, jogou de um avião
15 mil fotos dos dois filhos do primeiro casamento de
Ingrid sobre a selva, para que ela tenha a chance de
ver como eles cresceram. Este ano, tirou novas fotos
e vai repetir o vôo em junho. "Eu também
mando mensagens quase todos os domingos por um programa
de rádio de parentes de seqüestrados",
disse por telefone ao Estado. Ele, como os parentes de
outros reféns, tem a esperança de que os
guerrilheiros permitam aos cativos o pequeno luxo de
ouvir o programa. "Sempre digo que a amo e estou
esperando por ela."
Com a separação forçada depois
de seis anos de casamento, Lecompte vive sozinho. Mas
não é o único a viver o drama de
ter alguém querido em cativeiro. Famílias
de outras 4 mil pessoas no país sofrem com os
parentes seqüestrados - 85% delas estão em
poder de grupos guerrilheiros ou paramilitares. Segundo
a organização não-governamental
País Livre, que presta assistência a vítimas
de seqüestros, desde 1996 mais de 22 mil pessoas
já passaram pelo trauma do cativeiro.
Os seqüestros podem ter motivação
política ou financeira, mesmo quando são
praticados pelos movimentos rebeldes. No caso de Ingrid
nunca foi pedido resgate: ela é um dos 22 políticos
e 33 policiais colombianos, além de 3 cidadãos
americanos, que as Farc pretendem trocar por 500 de seus
homens presos. Mas Uribe rejeita negociações
de paz nos termos dos guerrilheiros.
O impasse nas conversas acabou com quase todas as esperanças
de Lecompte. "Hoje, não vejo luz no fim do
túnel", disse. E as pesquisas indicando o
favoritismo de Uribe na eleição são,
para Lecompte, desanimadoras. "A vitória
de Uribe significará uma condenação
para Ingrid e todos os outros a mais quatro anos sem
liberdade."
Apesar do esforço para libertar a mulher, o esperado
dia do reencontro causa certo temor em Lecompte. Ele
reconhece que depois de tanto tempo afastados, ambos
terão mudado muito. "Vamos ser quase como
duas novas pessoas se encontrando. Isso me dá medo
e estou preparado até para que nosso relacionamento
não funcione mais."
Folha de São Paulo
Violencia a la baja, debe reelegi a Uribe
Crédito: Carolina Vila-Nova, enviada especial
a Bogotá
Na Colômbia, campanha mais segura em 11 anos alimenta
apoio ao atual presidente, favorito na eleição
deste domingo
Grande parte da melhora se deve à política
do governo de "segurança democrática",
que tem 70% de aprovação entre a população
do país
A campanha eleitoral deste ano na Colômbia é a
que registrou o menor índice de violência
política nos últimos 11 anos, com diminuição
radical de seqüestros e assassinatos políticos
desde pelo menos 1997.
Os dados constam do "Informe especial sobre violência
política", da prestigiada Fundação
Segurança e Democracia, com base em dados oficiais
e de ONGs independentes.
Segundo o relatório, a redução
dos seqüestros entre o período eleitoral
de 1997 e 1998 e o atual foi de 98%. O número
de assassinatos caiu 75%.
Grande parte dessa melhora se deve à política
de "segurança democrática" implementada
pelo governo do presidente Álvaro Uribe, que neste
domingo tenta a reeleição. Essa política
explica, aliás, parte dos 70% de popularidade
de que Uribe goza ao fim do mandato -e os cerca de 57%
de intenção de voto nas eleições.
Teve especial importância a segunda fase do Plano
Colômbia, chamada de Plano Patriota, a maior ofensiva
militar da história do país contra a guerrilha
de esquerda das Farc (Forças Armadas Revolucionárias
da Colômbia) nas selvas do sul, com 17 mil homens.
A ofensiva para retomar o território controlado
pela guerrilha e desmontar sua cúpula rendeu inúmeras
críticas a Uribe, como a de ter provocado um êxodo
maciço de refugiados internos e abusos de direitos
humanos, além de acusações de autoritarismo.
Mas, graças a ela, Uribe pôde comemorar,
no ano passado, o fato de o Estado ter retomado o controle
de 100% dos municípios urbanos, com presença
policial em todos eles, feito impensável em 40
anos de conflito armado no país.
Prefeitos que antes haviam sido expulsos pela guerrilha,
por exemplo, puderam voltar a trabalhar nas sedes de
governo.
Outro fator que colaborou com a diminuição
da violência foi a aproximação entre
Uribe e a cúpula dos paramilitares de direita
da AUC (Autodefesas Unidas da Colômbia). "Nessa
fase, os paramilitares tentam obter o apoio dos poderes
locais, alcançam um importante respaldo em nível
nacional, mas, mais do que isso, iniciam uma fase de
desmobilização maciça que estavam
em seu apogeu na conjuntura eleitoral", explica
o relatório.
O ELN (Exército de Libertação Nacional),
por sua vez, iniciou no ano passado negociações
de paz com o governo.
As Farc, por outro lado, não apenas disseram
que não irão criar obstáculos à votação,
como chamaram a população a votar -contra
Uribe.
A guerrilha mudou também sua estratégia,
privilegiando como demonstração de poder
as chamadas "greves armadas" que bloquearam
três departamentos (Estados) nas eleições
legislativas, em março.
Mudança
A mudança é notável. Em 1990, por
exemplo, três candidatos presidenciais foram assassinados.
No período de 2001 e 2002, a violência atingiu
vários personagens de envergadura regional e nacional,
sendo o caso mais notório o seqüestro da
candidata presidencial Ingrid Betancourt e de sua chefe
de campanha, Clara Rojas, pelas Farc, em fevereiro de
2002.
"No que diz respeito ao eleitoral, houve um progresso
substancial nas condições e no ambiente.
As evidências estão aí", disse à Folha
o chefe da missão de observação
da OEA, Santiago Murray. "É muito diferente
de 2002, quando havia áreas sem controle territorial
por parte das forças de segurança. Tampouco
há tantas ameaças para que as pessoas não
votem, por parte das Farc."
O balanço positivo da segurança é,
porém, irregular.
"A Colômbia é um país muito
regionalizado. Os fatores de violência, por exemplo,
guerrilha, paramilitares, delinqüência comum,
narcotráfico, têm uma evolução
que muda segundo as regiões", afirmou o cientista
político colombiano Francisco Leal.
A cidade de Buenaventura (oeste), por exemplo, tornou-se
um dos principais focos de uma escalada da violência
contra civis, agentes de segurança e infra-estrutura,
no que as autoridades interpretam como uma investida
das Farc para afetar as eleições. Segundo
dados oficiais, foram registrados 125 homicídios
desde o início do ano -35 a mais que no mesmo
período em 2005.
Especialistas avaliam que as mortes são produto
de uma disputa entre guerrilha, narcotráfico e
grupos de paramilitares pelo controle desse corredor
estratégico de saída de coca e de entrada
de armas, aliado a um panorama de pobreza extrema.
O Globo
Paz, la nueva estrategia de Uribe
Crédito: José Meirelles Passos,
Enviado especial BOGOTÁ
Quatro anos atrás, Álvaro Uribe se elegeu
presidente da Colômbia tendo como plataforma principal
de sua campanha aniquilar dois grupos guerrilheiros:
as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia
(Farc) e o Exército de Libertação
Nacional (ELN). Agora, no entanto, o ponto principal
de sua candidatura à reeleição é exatamente
o oposto: a proposta de uma negociação
de paz com a guerrilha.
O motivo é que o governo percebeu que é impossível
resolver o problema à força. Além
disso, os custos dessa guerra estão cada dia mais
altos: as estimativas são de que o conflito armado
está custando à Colômbia entre 3%
e 7% do seu Produto Interno Bruto, ou seja, de US$ 3,4
bilhões a US$ 7,9 bilhões por ano.
Nem mesmo a ajuda de 800 militares dos EUA — tanto
em treinamentos antiinsurgência quanto em logística — foi
suficiente para derrotar os guerrilheiros. O chamado
Plano Patriota, iniciado dois anos atrás com vários
municípios do sul do país sendo ocupados
por tropas do Exército, tem funcionado apenas
razoavelmente.
A avaliação mais recente do Congresso
dos EUA, ao considerar uma nova ajuda financeira à Colômbia,
foi de que “ataques recentes das Farc indicam que
os guerrilheiros continuam tendo grande capacidade ofensiva”.
Diante das duas opções que tinha, Uribe
escolheu a segunda: a busca de diálogo. A primeira
seria politicamente difícil de adotar: a participação
direta de soldados americanos nas operações
antiguerrilha.
Em março, a subsecretária de Estado Anne
Patterson acenou com um reforço: disse que os
EUA poderiam intervir no país para capturar guerrilheiros
se a Colômbia pedisse. Uribe, no entanto, preferiu
ouvir a voz dos colombianos: a mais recente pesquisa
do Instituto Gallup mostrou que 64% preferem uma negociação
entre o governo e a guerrilha ao confronto.
Distribuição de coletes à prova
de bala a prefeitos
A questão é que as Farc — o grupo
rebelde mais poderoso, com 17 mil homens — continuam
mandando em pelo menos 38% do território colombiano.
Seus guerrilheiros controlam totalmente 122 municípios,
mantendo sob suas ordens — à custa de ameaças — seus
prefeitos e 924 vereadores. A providência federal
foi dar a todos eles coletes à prova de balas
e armas para sua proteção pessoal.
Nos casos mais graves, o governo instituiu equipes de
escoltas e forneceu carros blindados. Ainda assim, de
vez em quando políticos se somam ao contingente
de cerca de dois mil vereadores que se viram obrigados
a se mudar para outras cidades com suas famílias.
São forçados a administrar os assuntos
de seus municípios reunindo-se em lugares secretos,
ou via telefone, segundo a Federação Nacional
de Vereadores.
Entre 2001 e 2006 foram assassinados 216 vereadores
em dez municípios. No último dia 5, generais
do Exército e da polícia, além de
uma representante do Ministério do Interior, reuniram
um “conselho extraordinário de segurança” em
Neiva, em busca de soluções para esse problema.
A decisão foi alertar os vereadores a não
saírem das zonas de segurança (outras cidades)
onde foram instalados.
Além disso, as Farc continuam fazendo do seqüestro
uma arma — utilizada justamente no momento de se
sentarem a uma mesa de negociação. No momento,
59 políticos, militares e policiais estão
sob sua custódia, entre eles a senadora Ingrid
Betancourt, seqüestrada em 2002 quando fazia campanha
em Caquetá como candidata a presidente da República.
O objetivo das Farc é, em meio às negociações
de paz, realizar o que chamam de “intercâmbio
humanitário”: trocar o grupo de seqüestrados
por 500 guerrilheiros mantidos em prisões federais.
Folha de São Paulo
Ejército tendrá 200
mil hombres en las calles este domingo
Crédito: Da enviada a Bogotá
As autoridades colombianas compartilham a cautela manifestada
pelo especialistas sobre a aparente tranqüilidade
eleitoral. Para garantir a segurança no dia da
votação, as Forças Armadas anunciaram
o emprego de 220 mil efetivos em todo o país.
Apenas na capital, segundo a Polícia Metropolitana,
serão 20 mil policiais e mais de 500 agentes
antiterrorismo, de acordo com a imprensa.
Em Bogotá, a presença de militares e policiais
munidos de cachorros e armamento pesado já é ostensiva,
inclusive nas portas do principais hotéis e em
pontos turísticos. Mais de uma vez, a reportagem
da Folha teve de exibir o conteúdo de sua bolsa
a agentes de segurança que patrulhavam as ruas.
A vida das pessoas parece seguir seu curso, como mostram
os engarrafamentos no centro da cidade -talvez porque
a capital nunca tenha sido alvo preferencial de ataques.
"
Com muito poucas exceções, Bogotá não
tem sido um alvo. Em agosto de 2002, quando da posse
do novo governo, houve ataques, mas isso é excepcional",
disse à Folha o analista político Francisco
Leal Buitrago. "Em geral houve uma melhora da segurança
nos últimos anos em Bogotá, e diria que,
olhando os índices de criminalidade das grandes
cidades latino-americanas, é uma das que tem menos
insegurança."
Estão aptos a votar 26,5 milhões de habitantes,
mas o voto não é obrigatório. O
Conselho Eleitoral prevê um índice de abstenção
de cerca de 55%.
"As pessoas se sentem mais seguras para votar.
Mas o que se vê também é certa apatia",
disse Santiago Murray, chefe da missão de observação
da OEA.
(CVN)
O Globo
Universitarios en la mira de la guerrilla
BOGOTÁ. Apesar de um esquema de segurança
especial para proteger a capital colombiana da invasão
dos guerrilheiros das Farc, eles não só entram
e saem da cidade quando querem como também vêm
formando milícias urbanas. Elas têm surgido
tanto em Bogotá quanto em outras cidades como
Cartagena, Neiva e Santander.
Trata-se do Projeto Anarkos das Farc, que consta do
recrutamento de estudantes em 12 grandes universidades
do país — seis delas em Bogotá — e
o seu treinamento em acampamentos no interior. Ali eles
aprendem a confeccionar bombas, além de táticas
de ocupação de áreas e a execução
de atentados.
Os serviços de espionagem do governo têm
coletado muitas informações a respeito
dessa movimentação, mas têm sido
incapazes de agarrar guerrilheiros. Eles sabem que Carlos
Antonio Lozada, do estado-maior do Bloco Oriental das
Farc, é quem coordena a organização
das milícias urbanas. E também que Danilo
Nariño é o responsável pela seleção
dos candidatos em Bogotá.
Ambos já teriam conseguido arregimentar cerca
de mil jovens, em operações que os policiais
e militares jamais conseguiram detectar:
—
Temos chegado sempre atrasados aos contatos que eles
fazem. Ou melhor, quando sabemos desses encontros eles
já foram realizados — admitiu ao GLOBO um
dos
agentes da unidade antiterrorismo da polícia.
Os estudantes seriam abordados em eventos culturais
e acadêmicos, e muitas vezes durantes os intervalos
das aulas. Os que são aprovados numa entrevista
com Nariño, são levados para núcleos
das Farc nos departamentos de Caquetá, Meta e
Huila para um curso de três meses. Cada célula
urbana é composta de três estudantes.
As autoridades sabem, agora, que o recrutamento foi
iniciado dois anos atrás. Elas, no entanto, só perceberam
esse esquema em janeiro passado depois de dois ataques
a torres de energia na zona sul de Bogotá. Testemunhas
contaram ter visto jovens universitários colocando
os explosivos. Em abril passado veio a confirmação,
através da explosão acidental de uma bomba,
quando ela estava sendo armada por três universitários
no apartamento de um deles. Todos morreram. (José Meirelles
Passos)
Valor Econômico
Colombia ahora atrae inversionistas/
Crédito: Bettina Barros e Cláudia
Facchini
A Colômbia, que deverá reeleger domingo
o presidente Álvaro Uribe, começa a se
tornar uma das economias favoritas dos investidores internacionais
na América Latina, atraindo inclusive empreendimentos
brasileiros.
Com o terceiro maior mercado doméstico sul-americano
e uma economia crescendo à taxa anualizada de
5%, a Colômbia tem tudo para dar certo, diz Márcio
Ramos, diretor do Grupo Gerdau, que possui duas siderúrgicas
no país e já estuda um terceiro investimento.
Grande entrave para a economia nos anos 80 e 90, a violência
provocada pelo combate à guerrilha diminui no
governo linha-dura de Uribe.
A Santista Têxtil não tem fábricas
no país, mas seu presidente, Herbert Schmid, diz
que a Colômbia é o país com mais
perspectivas de investimento hoje na América Latina.
Entre as empresas que avaliam seriamente investir na
Colômbia estão a Tok&Stok e a Tigre.
Sem populismo, Colômbia atrai negócios
Enquanto alguns governos da América do Sul bradam
idéias extravagantes como o socialismo bolivariano
ou capitalismo andino-amazônico, em contraponto
aos tratados comerciais com os EUA e ao neoliberalismo,
um país que vem rejeitando essa guinada populista
se consolida como opção segura e atraente
para os investidores estrangeiros na região.
Com o terceiro maior mercado doméstico sul-americano
e uma economia crescendo à taxa anualizada de
5%, a Colômbia já dá sinais de disputar
novos negócios de igual para igual com tradicionais "queridinhos" do
continente, como Chile, Brasil e México, e atrai
um número crescente de empresas estrangeiras,
inclusive do Brasil.
Empresários brasileiros de diversos setores ouvidos
pelo Valor concordam em dizer que o país se transformou
em um importante "player" na região,
com grandes perspectivas de expansão para os negócios.
Muitos que não foram para lá afirmam estar
prospectando de perto o país.
Não faltam razões para querer entrar nesse
mercado, dizem. Desde 2001, a economia colombiana tem
crescido a uma média superior à da América
Latina (veja gráfico). Ao contrário de
alguns vizinhos, seu mercado interno de 43 milhões
de habitantes tem um poder aquisitivo relativamente alto
- o PIB per capita é de US$ 7,4 mil (em PPP).
A inflação está em 4,11%, o menor
nível em 40 anos, e os juros mantidos em 6,25%.
"
A Colômbia tem tudo para dar certo", diz Márcio
Ramos, diretor de operações de negócio
para a América Latina do Grupo Gerdau, que tem
duas usinas siderúrgicas no país. "Eles
alcançaram um nível de estabilidade política
e institucional que deverá assegurar seu processo
de crescimento de maneira sustentável".
Segurança, situação fiscal positiva
e estabilidade jurídica completam o cenário
favorável apontado pelos analistas.
"O estrangeiro que chega à Colômbia
sabe quais são as regras do jogo, e isso é um
paraíso para qualquer investidor", afirmou
um representante do governo brasileiro que pediu para
não ser identificado.
Grande entrave para a economia nos anos 80 e 90, a violência
gerada no conflito com a guerrilha caiu drasticamente
no governo "linha dura" do presidente Álvaro
Uribe, que deverá ser reeleito neste final de
semana, já no primeiro turno, segundo as pesquisas.
Com a melhora na segurança e a economia crescendo,
o governo reduziu os gastos militares que no passado
deterioraram sua posição fiscal. Não à toa,
a Colômbia desfruta de uma classificação
de risco melhor que a do Brasil, segundo as agências
de rating Standard & Poor's e Moody's.
"O mercado vê a Colômbia como o país
da América Latina com maiores chances hoje de
conseguir fazer as reformas necessárias, como
a reforma tributária", diz Ricardo Amorin,
economista-chefe para América Latina do WestLB. "O
governo Uribe tem propostas e maioria no Congresso para
levar adiante mudanças".
O resultado disso se reflete no crescimento do Investimento
Direto Estrangeiro (IDE) na Colômbia, o maior em
proporção do PIB (8,4%) registrado pela
Cepal na região no ano passado. O país
recebeu US$ 10,2 bilhões em 2005, uma guinada
expressiva em comparação com os US$ 3 bilhões
do ano anterior.
Em março, uma delegação de 70 empresas
brasileiras de 21 setores viajou a Bogotá para
um encontro com empresários locais. Voltaram com
negócios fechados da ordem de US$ 11,7 milhões,
o triplo do esperado. A viagem, promovida pela Agência
de Promoção às Exportações
(Apex), foi considerada um sucesso.
O Grupo Gerdau, que diz ver o país vizinho como "estratégico" para
seus negócios, assinou em dezembro de 2004 um
acordo para tornar-se acionista das empresas Diaco e
Sidelpa, num processo de aquisição escalonada
de participações do Grupo Mayagüez
e da The Latinamerican Enterprise Steel Holding, detentores
do controle das empresas. A Diaco é a maior fabricante
de produtos de aço para a construção
civil do país, e a Sidelpa, a única produtora
de aços especiais.
O cenário do setor siderúrgico colombiano é promissor,
segundo a empresa. A expectativa é que a produção
das duas usinas cresça 50% nos próximos
três anos, de 400 mil toneladas para 600 mil toneladas,
voltadas principalmente o mercado interno. Até 2008,
US$ 50 milhões serão investidos nas diversas
unidades.
Mas as ambições da Gerdau no país
incluem ainda um terceiro negócio, envolvendo
a siderúrgica Paz Del Rio. A grupo informou estar
aguardando "do governo colombiano a definição
dos elementos para esta oferta".
A Santista Têxtil começou a operar na Colômbia
há sete anos. A empresa, que não tem fábricas
no país, exporta tecidos para a confecção
de calças jeans. Na época, eram dois os
atrativos: o grande mercado doméstico e a possibilidade
de exportar para os EUA. Mas, com o tratado de livre
comércio (TLC), a Santista perdeu esse canal.
O tratado determina que, para ter isenção
tarifária, as calças exportadas ao mercado
americano têm de ser 100% colombianas. Ou então
pagam 17% de imposto.
Mesmo assim a Santista acha que vale muito a pena continuar
na Colômbia, porque eles têm uma capacidade
instalada invejável, mão-de-obra especializada
e largo consumo. Em 2005, foram vendidos 45 milhões
de metros de tecido para consumo colombiano, o equivalente
a 20% do mercado brasileiro.
"Suas instalações são reconhecidas
internacionalmente, e o nível educacional é alto",
diz Herbert Schmid, presidente da Santista Têxtil
no Brasil. "A Colômbia nivela com a Argentina
em termos de consumo, tem grande capacidade instalada
e potencial de exportação. É, sem
dúvida, o país com mais perspectivas de
investimento atualmente na América Latina."
Entre as empresas brasileiras que também avaliam
seriamente investir na Colômbia estão a
Tok&Stok, rede de móveis e artigos de decoração,
e a Tigre, fabricante de tubos e conexões. Por
enquanto, porém, nenhuma das duas bateu o martelo
e só estão prospectando oportunidades.
"Há um plano de renovação
urbana em Bogotá que está incentivando
a construção civil", afirma Regis
Dubrule, presidente da Tok&Stok, que possui 25 lojas
no Brasil e planeja iniciar a sua internacionalização
pela América do Sul. Segundo ele, a reativação
do mercado imobiliário acaba gerando uma maior
demanda em outros segmentos, como móveis. Varejistas
chilenas de material de construção, por
exemplo, também já estão se instalando
no país.
O aquecimento do consumo colombiano também chama
a atenção da holandesa Philips, fabricante
de aparelhos eletrônicos, e da alemã BSH,
dona da marca de eletrodomésticos Bosch. As duas
multinacionais européias administram seus negócios
na América Latina a partir do Brasil.
Ausente do varejo colombiano por cerca de cinco anos,
a Philips voltou a colocar seus produtos no país
no ano passado. A Colômbia é abastecida
a partir da subsidiária do grupo no Panamá e,
normalmente, com produtos fabricados na Ásia.
"O consumo de eletroeletrônicos na Colômbia
cresce 20% ao ano", afirma Paulo Ferraz, vice-presidente
de eletrônicos de consumo da Philips para América
Latina. O varejo colombiano também amadureceu
nos últimos anos, tornando o mercado mais seguro
para os fornecedores. "As grandes cadeias de hipermercados,
como Carrefour, Makro, Exito, da qual o grupo francês
Casino é sócio, e Alkosto, já respondem
por metade das vendas de aparelhos eletrônicos
na Colômbia", diz Ferraz.
Michael Traub, presidente para a América Latina
da BSH, já agendou uma visita à Colômbia.
O país, acrescenta o executivo, é o terceiro
maior mercado de linha branca (refrigeradores, fogões
e lavadoras) da América Latina. O mercado colombiano,
porém, não deve ser abastecido pelas fábricas
brasileiras mas pela unidade da BSH do Peru. Por fazer
parte do Pacto Andino, o Peru possui vantagens tarifárias
que o Brasil não tem nas relações
comerciais com a Colômbia.
O índice de confiança na Colômbia,
afirma Ferraz, da Philips, registra um forte crescimento.
Saltou de 6%, em 2004, para cerca de 20%. Pesquisa feita
com empresários do país aponta que 58,7%
deles manifestaram ter planos para novos projetos em
investimentos produtivos.
Para 2006, as estimativas apontam para a manutenção
das taxas de crescimento. As vendas da indústria
cresceram a taxas superiores a 6% nos últimos
dois anos, fazendo com que a utilização
da capacidade instalada atingisse 79%. O volume de encomendas
subiu de 80% para 86,1%, o maior já registrado,
diz o informe da Andi (Associação da Indústria
da Colômbia).
Alguns setores tiveram resultado especialmente bons,
como o setor plástico, com uma alta de 10,3% em
relação ao ano anterior, de vidros, que
cresceu 19,2%, ferro e aço, com um aumento de
18,8% e veículos, cujas vendas aumentaram em 24,8%.
O Globo
1l ‘A eleição
de domingo define a pole position de 2010’
Crédito: Cristina Azevedo
Corpo-a-Corpo: DANIEL SAMPER PIZANO
Além de dar um provável segundo mandato
a Alvaro Uribe, as eleições de domingo
devem fornecer um panorama dos candidatos a 2010, analisa
o escritor colombiano Daniel Samper Pizano. “O
pós-uribismo vai ser diferente”, diz o irmão
do ex-presidente Ernesto Samper e que está no
Rio para o lançamento de “Impávido
colosso”, passado na ditadura brasileira.
Por que um livro sobre a ditadura brasileira?
DANIEL SAMPER PIZANO: Eu me dei conta de que a primeira
ditadura de segurança nacional foi brasileira.
Foram tantos horrores da ditadura argentina, da chilena,
que a brasileira ficou um pouco esquecida pelos latino-americanos.
Têm saído muitas obras sobre Pinochet,
sobre os argentinos, mas pouco sobre a ditadura brasileira
em espanhol. Achei que era momento de resgatar a memória
dessa ditadura, mas também de contar histórias
humanas.
Durante os anos 60 e 70 houve grupos
guerrilheiros no Brasil e outros pontos do continente.
Mas estes países
superaram isso. O que aconteceu na Colômbia?
SAMPER: Narcotráfico. A droga é a explicação
para que ainda tenhamos 20 mil guerrilheiros. A guerrilha
ideológica deixou de existir. Os militantes entram
para a guerrilha agora porque oferece postos de trabalho.
Oferece salário, dá a possibilidade de
pertencer a algo. O que financia isso tudo são
um pouco os seqüestros, um pouco as extorsões,
mas sobretudo o tráfico. A guerrilha nasce pela
opressão e pobreza, mas se mantém graças
ao tráfico.
Como o senhor vê as negociações
com os paramilitares e com a guerrilha?
SAMPER: Acho que toda arma que se lance é uma
boa notícia. O problema é o preço
que se paga. Que preço traz esta impunidade e
se isso significará estabilidade. Na Argentina
se pagou o preço da impunidade e depois se teve
que retificá-lo. Na Colômbia se faz a desmobilização
dos paramilitares com uma colossal impunidade. A lei
de desmobilização diz que as mesmas normas
têm que ser aplicadas à guerrilha. O que
significa que, se há impunidade, haverá para
muita gente. Por outro lado, não basta que entreguem
as armas. O que oferecemos em troca? Vão ter trabalho?
Ou ao fim de dois anos vão regressar às
armas? Acho que tudo isso foi feito de forma um pouco
precipitada.
Que avaliação faz
do governo Uribe?
SAMPER: Há coisas muito positivas e outras perigosas.
Não há dúvida de que devolveu a
segurança em algumas regiões. Agora se
pode sair das cidades. Devolveu a sensação
de segurança de que os colombianos necessitavam.
Mas me parece ter uma tendência autoritária.
Que é mais caudilho do que líder democrático.
E que pretende resolver tudo num nível pequeno. É um
detalhista. Ele põe tijolos, não é um
arquiteto. A reeleição foi uma fórmula
que, me parece, pulou pedaços da democracia. A
Colômbia não tinha reeleição
há muitos anos e ele a pôs em benefício
pessoal.
Como fica a oposição?
SAMPER: Uribe vai ganhar, mas o que a eleição
define, também, é a pole position de 2010.
A menos que ele reforme a Constituição
para continuar governando, o pós-uribismo vai
ser muito diferente. E aí a esquerda vai ter uma
posição importante. Creio que Carlos Gaviria
vai ter uma votação muito boa. Se ele não
for candidato em 2010, o candidato poderia ser Lucho
Garzón (prefeito de Bogotá). É a
pessoa de esquerda em cargo mais importante. Lucho tem
feito um bom trabalho em Bogotá e é muito
popular. Se a esquerda se unir em torno dele, poderá atrair
muita gente.
O senhor vai votar, no domingo?
SAMPER: Sim. Vou votar em Gaviria. Uribe só fala
de ordem pública. Mas sem uma solução
social, não há possibilidades.
Gazeta Mercantil
Cada candidato demanda 100 seguranças na Colômbia
Crédito: AFP
Bogotá, 25 de Maio de 2006 - O favorito, Alvaro
Uribe, mobiliza cerca de 1,5 mil homens a cada deslocamento.
Por trás de cada candidato presidencial colombiano
para as eleições do próximo dia
28 de maio estão 100 homens da segurança,
destacados para a proteção do homem que
poderá dirigir o destino do país.
Mais de 25 mil guerrilheiros esquerdistas, centenas
de paramilitares de extrema direita que não se
desmobilizaram, os bandos de narcotraficantes e até delinqüentes
comuns, mantêm em suspense os responsáveis
pela segurança de cada um dos seis candidatos
presidenciais.
O favorito, segundo as pesquisas, o atual presidente
Alvaro Uribe, mobiliza cerca de 1,5 mil homens em cada
um de seus deslocamentos, e nesta campanha limitou ao
mínimo as aparições ao ar livre.
Nas eleições de domingo (28), 220 mil
homens das Forças Militares e da polícia
realizarão tarefas de segurança centradas
nos departamentos onde é forte a presença
de rebeldes, como Meta, Caquetá, Huila, Arauca,
Norte de Santander, Tolima, Putumayo e Cundinamarca.
No fim de semana passado, o segundo homem mais importante
na hierarquia das Farc (Forças Armadas Revolucionárias
da Colômbia), Raúl Reyes, disse os guerrilheiros
não boicotarão o pleito, e ao mesmo tempo
fez um apelo para que Uribe não seja reeleito.
Rivais com pouca chance
Três candidatos integram a lista dos quais as
pesquisas não conferem nenhuma chance de vitória.
Com apenas 2,1% das intenções de voto,
o ex-prefeito de Bogotá, Antanas Mockus, é o
que conta com a maior aceitação desse grupo.
Outro candidato da lanterna é o ex-ministro da
Justiça, En rique Parejo, ao qual a última
pesquisa conferiu 0,4% das intenções de
voto. Finaliza a lista dos menos votados o médico
oftalmologista Carlos Rincón, com apenas 0,1%
da preferência.
Esses três candidatos completam o leque de aspirantes à presidência
com os opositores Horacio Serpa (Liberal, com 10% das
intenções de voto), Carlos Gaviria (esquerda,
23,7%), e com o atual presidente Alvaro Uribe, favorito
para a reeleição (54,7%).
Um último candidato, Alvaro Levya, para quem
as pesquisas não davam nenhuma possibilidade,
renunciou à candidatura em 14 de maio.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 11)(AFP)
Correio Braziliense
1f Notas
ELEIÇÕES NA COLÔMBIA
Oposição tenta
sobreviver
A oposição colombiana multiplicou ontem
os esforços para conseguir votos nas eleições
presidenciais do próximo domingo. "Estamos
muito otimistas e aumentando nossa energia, pois esperamos
uma votação histórica", afirmou
Samuel Moreno, presidente da coalizão de esquerda
Pólo Democrático, cujo candidato, Carlos
Gaviria, aparece em segundo lugar nas pesquisas de opinião.
As pesquisas apontam uma cômoda reeleição
de Álvaro Uribe, com pelo menos 54% dos votos,
mas indicam que Gaviria, com 23%, poderia surpreender.
Uribe recebeu ontem o apoio do presidente venezuelano,
Hugo Chávez, com quem tem relações
diplomáticas conturbadas. Chávez chamou
o colombiano de "bom amigo" e "homem de
coragem".
SOBRE BRASIL:
Reelección de Lula sin peligros en 2006 según
nueva encuesta
RIO DE JANEIRO, Mayo 24 (AFP) - El presidente de Brasil,
Luiz Inacio Lula da Silva, garantizaría su reelección
en primera vuelta de las elecciones de octubre próximo
con 22 puntos de ventaja sobre su principal rival,
el socialdemócrata Geraldo Alckmin, según
una segunda encuesta difundida este miércoles.
La encuesta, realizada por la firma DataFolha y difundida
anticipadamente por el noticiero nocturno Jornal Nacional,
del canal carioca Globo, marca que Lula aumentó su
ventaja (era 20 puntos en abril) al figurar en las preferencias
con 43% del electorado, contra 21% de Alckmin, ex gobernador
de Sao Paulo.
En abril Lula (Partido de los Trabajadores, PT, izquierda)
recibía 40% de las intenciones de voto contra
20% del candidato del opositor Partido de la Social Democracia
Brasileña (PSDB), del ex mandatario Fernando Henrique
Cardoso (1995-2002).
La encuesta fue realizada este martes y miércoles
entre 6.000 electores de 258 municipios y margen de error
de +/-2%.
Esta consulta apuntala otra que fue divulgada este mismo
miércoles, la del instituto CNT/Sensus, en la
que Lula vencería fácil a Alckmin con 20
puntos de ventaja en una primera vuelta, al acaparar
40,5% (37,5% en abril) de la intención de voto
contra unos 18,7% de Alckmin (20,6%).
Hasta el momento el único candidato oficialmente
presentado de cara a las elecciones generales de octubre
es Alckmin. Lula ha rechazado pronunciarse hasta ahora
y recién en junio resolverá si se postulará,
aunque el PT ya le anunció su apoyo masivo.
Un 39% evaluó que el gobierno de Lula es excelente
o bueno, 37% cree que es regular y para 22% es malo o
pésimo.
Así, Lula demostró que recuperó con
fuerza su imagen positiva luego de la caída de
su popularidad el año pasado tras la grave crisis
política que afectó al PT, acusado de haber
pagado sobornos a decenas de legisladores y de crear
una millonaria contabilidad ilegal para pagar deudas
de campaña.
Con ello, Lula consiguió recuperarse con fuerza
del desplome de la popularidad que sufrió al final
del año pasado, cuando se comprobó la existencia
de una red de corrupción con fuerte participación
de su partido.
El real se precipitó 4,50% a 2,40 por dólar
en Brasil
SAO PAULO, Mayo 24 (AFP) - La moneda brasileña
cayó estruendosamente este miércoles un
4,50% con relación al dólar, que se cotizó a
2,40 reales al cierre del mercado cambiario, contra 2,292
al fin de las operaciones del martes.
La fuerte caída de la divisa local obedeció una
vez más, por tercera jornada consecutiva, a la
fuga de capitales para la compra de Bonos del Tesoro
de Estados Unidos, explicaron los operadores.
Durante 2006, la divisa brasileña acumula una
desvalorización de 3,33% respecto al billete verde,
que el último día hábil del año
pasado se cotizó a 2,32 reales, después
que a inicios de mayo la apreciación se había
aproximado al 13%. En 2005 el real se había valorizado
14,4%. |